Segunda-feira

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Às vezes penso que estou sozinha no mundo.

São tantos textos que circulam na Internet com autoria trocada que até me assusto.
Assusto-me mais ainda quando ao tentar consertar o erro das outras pessoas recebo como resposta algo como: "e o que eu posso fazer?", "num livro que comprei dizia que era de fulano e não de ciclano", "na internet diz que está certo"...

Já quase não tenho vontade de postar mais nada. Meus blogs andam às moscas, entregues a um ou outro comentário imbecil que me der na telha.

Vou contar a história que me fez sentir essa solidão desnecessária:

Estou fazendo um site de um projeto beneficente. O dono, realiza mensalmente um concurso de frases. Os membros recebem algumas frases, votam na sua preferida e aguardam o resultado do mês. Os vencedores conquistam bolsas básicas para as associações que defendem. É mais ou menos isso, não vou perder-me descrevendo os pormenores e outras regras.

O dono, que chamarei de Zé das Couves, postou uma mensagem como sendo de Chaplin.
Respondi a ele enviandoa autoria correta da frase, assim como os links para que confirmasse a verdadeira autoria.

Recebo a resposta: "A frase foi retirada de um livro sério. Como eu posso agora, depois da frase enviada, dizer que a autoria não é de Chaplin e sim, dessa senhora que você me fala? Como ficará o crédito do concurso?"

Cheguei a responder ao e-mail, começando pelas lições de vida. Coisas como caráter, estar ao lado da verdade ou da mentira, que reconhecer o erro é melhor que persistir no mesmo e toda essa baboseira (devo supor que seja tudo uma baboseira mesmo...). Emendei a "lição" citando casos como o de Veríssimo com o Quase/Presque e de Edson Marques com seu Mude. Tive ainda o trabalho de finalizar, acrescentando links do site domínio público, onde ele poderia buscar por frases e pensamentos sem roubar a autoria de ninguém.

Depois de exercitar toda a minha paciência para não mandar o dito cujo lamber sabão enquanto estivesse em visita a um lugar onde se deve tomar no orifício específico para saída de esgoto biológico, resolvi deletar o e-mail.

Porque? Não sei.

Cansaço de bater sempre na mesma tecla? A confirmação de que certos tipos de pessoas não tem jeito? A constatação de que caráter é algo que habita apenas o imaginário de alguns poucos escolhidos (ou excluídos?)

Porque custa tanto às pessoas consertarem seus erros? Porque custa-lhes mais ainda quando o erro foi retransmitido a outras tantas mais? De onde vem tanto narcisismo (eu não erro nunca), insegurança (o que vão pensar de mim?), negligência (se os outros fazem, eu também posso fazer)?

Onde exatamente nos perdemos de nós mesmos? Já se sentiram assim?

Aloha! Namastê! Sawabona!

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