Quinta-feira

Faxinas

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Ando os últimos dias em permanente estado de febre. Não a febre indicadora de doença, aquela febre que nos deixa com sensação de frio ao proceder aquela faxina dentro de nós mesmas. Creio que deva ser esta mesma sensação que impera nos momentos de carência.

Carência. Palavrinha tão simpática que carrega o peso do mundo sobre si. Dei-me conta de que nunca havia passado por isso. O exercício do auto-controle torna-se exaustivo mas é essencial e prioridade neste momento. Todos os meus sentidos andam em alerta vermelho e tenho evitado a todo custo, qualquer atividade que desvie minha atenção de mim mesma. Alguns dizem que isso é um erro, no meu caso é necessário.

O bom e velho conselho de sacodir a poeira, deixando simplesmente tudo pra traz não está me ajudando em nada. Esquecer ou colocar de lado o que vivi nos últimos anos não vai deixar meus risos limpos. E preciso deles bem limpos para seguir adiante. Já percebi que, dessa vez, a limpeza exigirá muito, mas muito de mim e tenho a obrigação de passar por todas as fases para voltar a ficar bem comigo mesmo.

Não sou uma página de internet que possa ser acessada somente na primeira página com a mensagem "estamos em manutenção". Sou página única, acessada por inteiro, não há links que deixem apenas esta ou aquela parte visível. Eu sou o meu todo. O mundo rola, os dias nascem e morrem, os minutos são aproveitados ou perdidos e eu tenho que lidar com a minha sensibilidade de alguma forma.

Numa breve análise percebi que minha crença na Humanidade vem decaindo conforme os anos passam. Tem momentos que sinto-me tão diferente do mundo que penso não ser parte dele. Há outros que fico com a nítida impressão de que só eu entendo o mundo e todas as demais pessoas estão vivendo como se não fizessem parte dele. Há paradoxos e mais paradoxos em nossas vidas e manter um equilíbrio entre eles não é nada fácil.

Dói-me profundamente saber que pessoas podem ser cruéis umas com as outras mas não posso esquecer que a diversidade existe e cada um age de acordo com suas crenças, experiências e vivências. Alguns sentem a poderosa e saudável sensação da responsabilidade, alguns a acham pesada demais e ainda outros não tem a menor noção do que seja isso.

Esse momentos tornam-me mais crítica e sei que mais adiante me tornarão mais forte e mais exigente. Comecarei minha faxina pelas minhas críticas, vou para a fase do filme para separar as coisas boas que posso tirar das coisas más, pregarei em outdoors mentais os melhores momentos e termino arrumando o restante da bagunça pra poder fazer a lavagem final. Depois vem a melhor parte: o brilho, cada vez mais limpo e cristalino. Refaxinada, repaginada e refeita. E absurdamente feliz por ter vencido mais uma.

Aloha! Namastê! Sawabona!