20100913

Liberdade forçada, sem ponto final

Parece fora do tom falar em "liberdade forçada" mas o fato é muito bem definido dessa forma. Estive num relacionamento que teve fim no dia 27 de junho; não por minha vontade e creio que nem a dele. Por isso a expressão "liberdade forçada".

Dia 27 desse mês completam três meses. Fim do meu tempo de luto, uma marca que não merece grandes comemorações. Talvez dessa vez esteja difícil porque fiquei com a sensação de fim sem ponto final. Aluna de Letras, o ponto final é essencial pra minha santa tolerância e equilíbrio.

Não consigo evitar sentir-me ainda namorada de alguém que não está comigo. Tudo foi errado: o motivo e o momento. O motivo, com certeza, foi dos mais tolos que já vi. O momento foi num dos mais dolorosos da minha vida: tinha acabado de perder minha tia-mãe; ando de cabeça quente por preocupação com minha irmã e minhas sobrinhas naquela terra tão distante e tão poeticamente bela e eu sem poder fazer nada para ajudar; a faculdade comendo o couro; mil e uma atividades aguardando resoluções e elaborações.

A perda da minha tia, além da dor, trouxe a mágoa profunda. Ela esteve internada por quatro dias e não fui avisada. Poucos dias antes, ao buscar notícias, recebi a resposta de que ela "estava muito bem". Não estava. Não tive a chance de me despedir dela em vida. Não há retaliação nem reparo pra isso.

Dores acumuladas, choros atrasados, saudades atropeladas. Ainda não consegui derramar meu choro, todas as vezes que ele quis se libertar foram horas impróprias. Preciso que minhas lágrimas e soluços desçam potentes, sem interrupções. Um cafunezinho de um moreno seria muito bem-vindo. E esse "um" antes de "moreno" não tem nada de indefinido, é bem definido pra mim. E bem que tentei. No outro dia deixei um outro moreno me beijar e mesmo o guri tendo um beijo gostoso, fiquei com asco depois. Não é o meu, oras! Não posso enganar a mim mesma.

Faltam duas semanas pro dia 27 de setembro. Dia de Cosme e Damião. Contagem regressiva ou tortura?

Não gosto nada dessa sensação de impotência quando não há mais nada a ser feito. Poderia dar ainda um primeiro passo, pela última vez. Mas sei que um passo meu não trará solução definitiva para o relacionamento. É preciso que ele também entenda que nenhum sentimento deve ser obstáculo pra nossa felicidade e bem-estar.

Estou cansada de tomar atitudes pelas outras pessoas; de alargar meus parâmetros; de reforçar meus eixos para abrir mão de um pouco deles; de ser o homem da relação. Lutamos por igualdade entre os sexos mas jamais deixaremos de ser mulher, com toda emotividade e sensibilidade de nossa essência. Mulheres são movidas a abraços nas horas certas, a olhares famintos, a mãos amadas agindo como desbravadoras, a conversas profundas e íntimas.

Homem tem que ter receita e certificado, sem garantias. Algo mais ou menos assim, descrito lá no Desvirginando a Poesia.

Aloha! Namastê! Sawabona! 

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