20110823

Somos anjos ou demônios?

De sábado pra cá fui chamada de anjo por 7 pessoas diferentes, em situações distintas, dos mais diversos graus e níveis de conhecimento da vida.

Ainda que eu prefira mil vezes ser vista como otária ou inocente ao invés de membro signatária da Lei de Gérson; na volta pra casa, depois da Corrente, vim me perguntando pelo caminho se toda essa movimentação da família valeria a pena, se traria algum resultado e se estávamos agindo bem ou perdendo tempo. Talvez fosse melhor cada um fechar o coração e os olhos e deixar pra lá porque afinal de contas a pessoa ainda não aprendeu a assumir que errou, está na fase de achar que errar é fraqueza. Há também o orgulho, aquele prejudicial ao próprio ser, que sente necessidade de deturpar as coisas pra poder jogar a culpa em algo ou alguém.

Pessoas assim não sabem voltar atrás, não têm consciência de que insistir no erro traz mais e maiores prejuízos pra si e para as pessoas que a amam de verdade. De que adianta rezar, pedir tanto pra abrir os olhos de quem nem quer ter olhos para abrir? Por fim, perguntava-me até que ponto valeria ter fé nas graças e milagres e até que ponto podemos ter fé na cura de alguém? Foi quando cheguei nesta indagação, já quase perto de descer do ônibus, que a senhora que estava ao meu lado soluçou. Deixei meus pensamentos pra lá, toquei com carinho o braço dela e perguntei se ela estava bem, se precisava de alguma ajuda ou de um ouvido 'de fora' pra desabafar. Ela soltou um riso tranquilo entre as lágrimas e disse que estava bem, que naquele dia ela tinha percebido que havia recebido um milagre do qual nem pela fé ela acreditava que fosse possível de ser realizado. Eu, criada dentro de todos os preceitos católicos em casa, na igreja e no ensino fundamental, sei e sei muito bom que Deus usa de diversas formas pra entrar em contato conosco. Imediatamente lembrei-me novamente de minhas indagações. Senti-me fraca por ter duvidado da força da fé. É preciso acreditar sempre, nas pessoas e nas forças do universo. Segurei o choro e pedi pra ela que me contasse o que fosse possível porque minha família estava passando por um problema assim-assim (falei por alto) e que as coisas estavam tão difíceis que em muitos momentos duvidávamos que pudéssemos ter algum sucesso com a nossa Corrente. Chegou meu ponto... Deixei passar...

Ela contou uma situação bem parecida com a nossa, nesse caso, com a irmã dela. Não vou entrar em detalhes porque não cabe aqui a experiência na vida dela. O que conta aqui é a resposta quase que imediata às minhas dúvidas. Ouvi os detalhes do caso todo e quando descemos no ponto final, em Marechal Hermes, sentamos na praça e falei do nosso. Ela me convidou pra um café no dia seguinte, domingo, para que eu conhecesse a irmã, o cunhado e os sobrinhos. Aceitei num impulso. Apareci no endereço, na hora combinada. Conheci a família toda e tive a grata oportunidade de ouvir os personagens principais da história toda, com todos os nuances do emocional de cada um. Pude falar exatamente como eu sentia e via as coisas, a sintonia desses detalhes com todos os outros membros da família. O mais forte naquilo tudo era a força da boa energia que pairava naquele ambiente. A paz era tão visível, tão palpável e tão firme que parecíamos todos um corpo apenas. É tão gostoso ter essa sensibilidade apurada para poder reconhecer e regozijar-se com esses momentos tão mágicos. Em momentos assim que acreditamos no bem da vida. Era exatamente assim que eu me sentia nos braços, conforme diz a música quando estou com você, estou nos braços da paz. Quando vim embora, já num adiantado da hora, o casal me disse que é em situações que parecem impossíveis de serem solucionadas que algumas pessoas se transformavam em anjos, que continuássemos com nossa Corrente e que fariam a deles por nós também, pela vitória de nosso amor maior (nosso aqui, se referiam à unidade da família).

No derradeiro dia, eu disse a ele que éramos todos uma família e achava incrível que ele não visse dessa forma. Era tão claro e límpido pra mim. O que tenho vivenciado ultimamente mostra-me o quanto é verdadeira essa afirmativa e o quanto eu tinha razão em pôr fé nessa união. Por mais estranho que possa parecer, com esse detalhe esquisito para alguns, de um lá-outro cá, éramos todos uma só família. Contnuamos sendo, mais fortes e mais unidos do que nunca; tendo todos por objetivo único, o retorno do membro desgarrado. E sabemos que não será fácil... A luta com os deslumbres do mal nunca é uma batalha fácil. Contamos apenas com nosso amor, nossa fé e nossa união.

Tenho recebido muitos depoimentos através dos comentários, histórias semelhantes, casos de sucesso e outros 'em andamento'. Alguns vieram pro e-mail, outros têm acompanhado só por aqui. Tanto faz... O legal é ter vocês participando, dando força, mandando energias positivas, rezando. E, se de alguma forma, estou conseguindo trazer conforto pra vocês é porque, apesar de tudo, estou em paz.

Que a Sagrada Família os abençoem e aos seus!

Aloha! Namastê! Sawabona!

2 comentários:

  1. Anônimo23.8.11

    Tivemos esse problema com meu pai. Foi 5 anos difícil pra gente porque ele ficava com raiva da gente quando falávamos com ele pra abrir os olhos dele. Boa sorte prá voces

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  2. Oi, Anônimo.
    Todos sabemos que esta é uma situação que exigirá muita paciência e tempo de nossa parte mas, espero que não tenhamos que esperar tanto assim.

    Pelos depoimentos e histórias que venho recebendo, parece que a raiva é um fator comum. No nosso caso, a pessoa já é propensa à raiva quando escuta um aconselhamento para seu próprio bem - comigo, principalmente. A impressão que temos nessas horas é de que ele não gosta de ser amado nem de ser motivo de nossas preocupações.

    Conosco acontece o mesmo, não podemos nem imaginar ou pensar em conversar com a figura porque qualquer coisa que façamos vai piorar as coisas - ele fará tudo pelo caminho oposto.

    Tem muita coisa por traz mas este não é o espaço nem o local. Qualquer coisa, meu e-mail está disponibilizado na lateral direita.

    Aloha! Namastê! Sawabona!

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